A música está tão alta, que o grave bate no peito. Batidas secas e repetitivas. O mundo grita lá fora, mas não dou a mínima. Estou enlouquecendo rapidamente, mas não pela música. Música a gente aperta play e ela se repete. Só tem um motivo pelo qual enlouqueço fácil. Meu vício, minha droga, meu calcanhar de aquiles. Ela. E aquela cara de vadia sedenta por sexo.
As mãos ágeis, a força, o jeito que me olha. Porra, eu não sei o que há com essa mulher, mas algo nela me deixa louco. Parece uma criancinha longe do sexo, fica bonitinha sorrindo, fala de um jeito manso e engraçadinho. Longe do sexo, repito. Vira bicho, rápido. Perco-me em suas personalidades, não sei como ajo e como penso, perto dela. É quase como se de um momento pro outro, um demônio tomasse conta dela e soubesse exatamente como comandar a tudo. Inclusive a mim. Exclusivamente a mim. Morro de ciúmes, só de imaginar que não sou exclusivo. E provavelmente não o sou. Mulheres como ela tem uma gama muito vasta, para escolher quais ela quer, quais ela não quer. E eu sei que não sou a única boa opção.
Mas sigo me enganando que sou único. Dou-lhe uma aliança, peço-lhe em casamento. Ela ri. Sabe que tenho medo. Adoro-a como uma Rainha. Sou um servo cego e estúpido demais. Perco meus amigos, meus contatos profissionais, minha família, meus bens materiais, mas não aguento um sequer “não” dela. Os olhos animalescos dela sobre mim, de novo. Demoníacos, lindos. Desmancho-me como geléia. Não, geléia ainda é muito firme. Derreto completamente. Perco a força nas mãos, a firmeza nos pés. É, não tem jeito. Uso coleira e tenho dona.
Ninguém é forte o tempo todo. Ninguém consegue ficar íntegro diante de mulheres como ela. Não, pelo menos eu não. E nem é mais questão de ego ferido. É necessidade.