Escrevo sobre força, sobre dominação, sobre mulheres (mas não como uma). Todos eles, dentro de mim, brigando entre si, pra ver quem comanda o cérebro. Nenhum deles faz um bom trabalho. A mulherzinha se foi faz tempo. Sortudo aquele que ainda a vê em mim. Não quero que a mulherzinha tome conta. Odeio-a com vontade. É o tipo de coisa fraca que ninguém merece.
Aparecem todos eles, todos os dias, a qualquer momento. Um piscar de olhos muda quem comanda meu cérebro, um sorriso bobo meu faz a mulherzinha aparecer. E deus, meu sorriso é tããããão bobo! Me trás de volta à realidade de que sou uma criança, ainda. A criança besta que ainda deixa os outros brincar com os brinquedos favoritos e faz jurar que vai tomar cuidado e pior, confia que os outros vão mesmo cuidar. Não aprendi que qualquer otário na esquina vai te foder, se você deixar que os outros brinquem com teus brinquedos. E se esse tomar cuidado, o próximo, da outra esquina não vai.
Fico contente de saber que um amigo distante ainda não esqueceu. Que ainda não virei passado pra alguém. E ao mesmo tempo, tenho vontade de ser o otário na esquina, que quebra o brinquedo alheio. Só pelo prazer de desmontar. Desmontar é bom! Ver alguém sofrer é bom. Mostra que não é você quem está sofrendo, pelo contrário, você é o motivo de ver as lágrimas alheias derramarem. Isso é bom. Realmente esse péssimo sentimento é bom.
E depois, cansada de deixar os outros brincarem com meus brinquedos e de quebrar os brinquedos alheios, visto a coleira e me boto de quatro por ela. Ela quem? Eu, eu mesma. E adormeço. Calada. Sem nem me mexer.