Eu xingo. Eu falo merda, te menosprezo. Eu vejo você quase pedindo por favor pra ficar comigo. Pra eu te dar atenção. E eu não percebo. É, de ruim que eu sou mesmo. Eu gargalho das tuas lágrimas, sem entendê-las. Vejo que o ser humano é babaca pra chorar por outro e te menosprezo por isso.
Mas basta você me das as costas. Basta desistir de mim, me esquecer. E quem começa a chorar sou eu. E o peso de perder se torna insuportável. Viro mulherzinha. Não, primeiro minto pra mim que sou forte e crio caso. Crio confusão, mato gente na rua, piso em cachorro morto. Aí sim, só depois me despedaço em choro, mostrando a fraca.
E eu não percebo que estou fazendo merda até o silêncio chegar. Por que se alguém se cala do meu lado, duas duas uma: ou eu tô falando demais, ou não querem mais conversa. E porra! Eu falo. Confesso, falo pra cacete. Sou extrovertida, é isso o que os extrovertidos - e ainda mais se forem mulheres - fazem. Silêncio é o tipo de coisa que ninguém tem de mim. Geralmente têm outros sentimentos (a maioria nada bons, confesso) mas silêncio, não.
Já notei que o silêncio é a sinalização de quando eu faço merda. Custava alguém dizer “Ca, sua filha da puta, pára de fazer isso que eu não gostei”. Mais simples. Mas não. Todo mundo tem um pé na mulherzice. TODO MUNDO. Ninguém fala tudo na cara. Nem eu. Eu não consigo falar elogios na cara de alguém, mas xingar, eu sou foda.
O foda mesmo é saber que todas as despedidas doerão. Todas elas. Não há despedida fácil, ainda mais as definitivas. Só preciso parar de arranjar desculpas pra mim mesma de que posso adiar certos “adeus”.
E aguentar o silêncio, depois. E não sentir falta do ombro pra chorar.
É… Tô fodida.