Globos oculares grandes, saltados. Cheios de fúria. Todos olhando pro mesmo lugar. Pra bunda dela. Pras pernas dela, pra ser sincera. E ela sorri, achando graça nos olhos. Acha que algum daqueles olhos querem saber da personalidade dela. Ou de seus sonhos.
Esqueceram de contar pra essa menina o fundamento básico de crescer: Ninguém quer saber do que ela pensa ou o que sente quando sai durante a noite.
Querem saber se ela tá de calcinha, se forem homens. O quanto pesa, se forem mulheres. Só fodê-las e contar pro mundo. Só. A boca, se aberta, só pra chupar. Beijar é dispensável.
Coitada. Aprenderá como todas aprendem: sofrendo.
Ah, se os pais prerarassem essas meninas pro mundo, ninguém comia ninguém.
Obrigada pais, por criarem otárias. Por que a gente adora fodê-las e deixá-las chorando depois.
Prova que estamos vivos. Prova que a dor delas, são nossas alegrias. Prova que vamos pro inferno. Prova que eu, em jejum de sono, sou pior do que ligada no 220.