Camila Marciano

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Escrever é tão mais fácil…

Ela não era sua primeira. Ele também não era o seu. Por que não haviam se encontrado antes e só. Que diabos importa a ordem, se a graça estava exatamente na desordem? Só os romancistas e idealizadores - bem como a nova geração de evangélicos - que acredita veemente na magia da exclusividade. Ser único nunca significou ser especial.

Ficaram longos minutos se olhando. Em que raios de mundo dois pares de olhos se encontram e não se desgrudam mais? Não sei. Só sei que aqueles não se largavam. O que as bocas não conseguiam ou não podiam dizer, os olhos diziam. Malditas travas que o mundo coloca nas gargantas e não deixa as palavras saírem! Vontades não faltam. Ela quase solta o que pensa. Quase consegue deixar o orgulho de lado e dizer na cara dele o que já havia lhe escrito. Escrever é fácil, o mundo não impõe barreiras no papel. O mundo não tem poder sobre ele, é uma terra sem lei, tudo se pode.

Ele diz. Longos segundos de silêncio seguem. Tudo o que ela consegue pensar é “Ele é homem, ele é homem, demore para acreditar e não sorria”. Mas a vontade de sorrir é grande. É o tal do amor correspondido, partindo do princípio que o amor realmente existe. Triste. Tudo o que ela consegue dizer é “É sério isso?”. Teria sido melhor agradecer. Teria sido melhor qualquer coisa, até o silêncio. Ele diz que é, mas a filha da puta ainda sim desconfia. Parece que já nasceu na surdina, já nasceu desconfiada. Não nega: É uma filha da puta por natureza.

Pra dizer um “Eu também te amo”, meio envergonhado, meio bobo e o coração na ponta dos dedos, quase ecorregando das mãos. A garganta seca, as feições sem graça. Aquele “Eu também te amo” havia pulado um imenso muro do orgulho. Um esforço tremendo pra sair. Longos segundos de silêncio depois, onde o jeito sem graça, ela não tinha como esconder.

E depois voltaram à programação normal. Ao sexo animal e violento de antes. A maneira deles de matarem seus próprios demônios. Por que durante o coito os filhos da puta - sim, ele também não é nenhuma flor que se cheire - não têm vergonha, ou pudor, ou medo da rejeição.

E depois, os opostos é que se atraem.

Só com imã, só. Na prática, pra todos nós, não há nada mais atraente que um ser igual, Um filho da puta, pra combinar.

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Posted on Sunday, May 2 2010.
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  1. fuckmenow liked this
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  3. bmarciano posted this

Camila Marciano Esmaltes mal passados. Duas calças. Calças fodidas, tênis verdes. O bom e velho verde. Problemas para dizer elogios, excesso de palavrões. Excesso de machismo e de "não". Falfa de senso crítico. Uma agressividade tão absurda que chega a ser banal. Um certo jeito pra escrever, nenhuma previsão do futuro. Amor por japonesas e por mussarela. (Café!)

Cap do luigi, um sorriso bobo e um nome.
Camila Marciano.
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